Carol Primo Psicóloga

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Quem Tem Medo da Momo?

Quem Tem Medo da Momo?

Os grupos de pais não falam de outra coisa. Uma boneca que invade os desenhos das crianças em sites infantis e “ensina” o que elas devem fazer para se machucarem (ou mesmo cometerem suicídio) e machucarem outras pessoas.

Primeira pergunta: será que é verdade? Existem controvérsias sobre a veracidade da existência desse conteúdo nocivo. Nosso blog não tem caráter investigativo. Sugerimos a leitura da reportagem do site UOL sobre o assunto: https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2019/03/18/momo-esta-ensinando-seus-filhos-a-se-matar-no-youtube-entenda-a-polemica.htm.

Se talvez os vídeos da Momo nem existam, qual é a importância de falar sobre ela? Pensamos em pelo menos dois motivos: refletir sobre o alarde e o medo que mães e pais têm vivido nos últimos dias; assim como aproveitar o tema para debater sobre como acompanhar e orientar o uso que nossos filhos fazem da internet. Vamos ao primeiro tópico. Basta a notícia de algo como a Momo para mobilizar medos e ansiedade.

É compreensível que mães e pais cuidadosos se preocupem com esse tipo de situação. Entretanto, isto pode ser um problema. A ansiedade não costuma ser boa “conselheira”. Os momentos de maior pico de ansiedade costumam ser também os momentos em que mais fazemos coisas das quais depois nos arrependemos. Lidar com questões como a notícia da Momo em momentos de ansiedade, pode causar mais mal do que bem.

Melhor ignorar o tema? Provavelmente não. Chegamos ao segundo tópico. Podemos aproveitar o momento para refletir sobre como mães e pais podem lidar com o comportamento dos filhos na internet. A web abre para nós a possibilidade de contato com conteúdos de ótima qualidade, acesso à informação, entretenimento de qualidade. Também dá acesso a conteúdos violentos, de sexualidade imprópria para pequenos, ou que vão contra a normas culturais e/ou da moral e das crenças da família. Algumas famílias restringem ao máximo o acesso das crianças e mesmo de adolescentes à internet, outras oferecem acesso ilimitado. Existe uma forma ideal?

Toda idealização é, por definição, inalcançável. Mas podemos pensar em algumas formas para lidar com o uso da internet por crianças e adolescentes. Vamos usar o ato de atravessar uma rua como metáfora. Bebês e crianças pequenas não podem atravessar a rua sozinhas.
Conforme crescem, as crianças podem ser ensinadas sobre regras de trânsito e quais são as formas seguras para atravessar a rua. Conforme mostram que compreendem e seguem tais regras, adolescentes aos poucos passam a andar sozinhos na rua. É um momento crucial para muitas mães e pais em que a confiança que sentem no/a filho/a e no próprio desempenho como pais é testada. Crianças precisam ser ensinadas a usar a internet para que possam passar do uso supervisionado para, no futuro, navegarem por conta própria.

Surge ainda uma questão: não controlamos tudo o que acontece com nossos filhos. Isto pode nos deixar com sentimentos de impotência diante do gigantismo da internet e da imprevisibilidade da vida. Mães e pais só têm superpoderes no imaginário dos filhos e, mesmo assim, por tempo limitado. Um dia eles crescem e descobrem a humanidade dos pais. Podemos, entretanto, estar atentos a alguns sinais de alerta: mudanças repentinas de comportamento, medos, agressividade excessiva, mudanças de hábitos de sono e alimentares, por exemplo. Só esses sinais não comprovam que crianças ou mesmo adolescentes tiveram acesso a conteúdos “ruins” na internet, podem ser sinais de muitas outras situações, mas ajudam a identificar que algo não vai bem.

Desenvolver e manter o canal de diálogo com o/a filho/a é muito importante. Diálogo, ou seja, os dois lados têm espaço de fala. Não é só falar e orientar, é também ouvir. Ouvir o que ele/a tem a dizer. Interessar-se pelo mundo dele/a. Ouvir o que fala, o que brinca e o que não fala. Investir na relação com ele/a.

Isto não é o antídoto contra todos os males, mas ajuda a conhecer e compreender quem ele/a é. Por fim, é sempre possível buscar orientação com bons profissionais. Psicólogas, pedagogas, professoras, pediatras. Profissionais que lidam com a infância e com a adolescência de nossos filhos e que podem nos auxiliar, afinal, ninguém sabe todas as respostas.

Por: Carol Primo Psi

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