Carol Primo Psicóloga

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Jogos Eletrônicos

Jogos Eletrônicos

Quando se fala em jogos eletrônicos para crianças, e mesmo para adolescentes, a dúvida se instala: eles são bons ou ruins? Causam violência? Interferem no desenvolvimento? Causam isolamento? Há quem seja entusiasta dos jogos eletrônicos. Há quem acredite que eles são causa de muitos males. Para não ficarmos apenas no “achômetro”, vamos apresentar algumas informações do ponto de vista da Psicologia.

O que nos humaniza são as relações humanas. Isso quer dizer que para sermos humanos não basta possuir características biológicas humanas. Para nos tornarmos humanos precisamos nos socializar com outros seres humanos. Precisamos desenvolver um psiquismo que depende da nossa relação com o meio em que vivemos, com a família, escola, vizinhança, ou seja, com pessoas. Uma das coisas que nos humaniza é o brincar.

A brincadeira tem como principais características ser prazerosa, envolver o corpo como um todo, ser uma forma de expressão simbólica através da qual a criança comunica aquilo que vive, sente e pensa. Além de ser uma forma de comunicação, a brincadeira é uma expressão da criatividade da criança. Brincando a criança imita pessoas, personagens, desempenha papéis que são experimentados de forma a fazerem parte da construção de sua identidade. A brincadeira é o ponto de encontro entre a realidade mental e a realidade externa à criança. Nesse sentido, a fantasia presente no brincar está diretamente ligada à realidade psíquica da criança.

Dada a importância da brincadeira e o grande acesso a jogos eletrônicos que muitas crianças têm podemos perguntar: jogos eletrônicos podem ser considerados como brincadeira? Se considerarmos que os jogos têm regras pré-estabelecidas, se voltam para o desempenho na execução de uma ou mais tarefas, e, comumente, estão voltados à competição, vemos que os jogos, eletrônicos ou não, não favorecem a brincadeira.

Isso não quer dizer que os jogos sejam ruins. Pelo contrário, pesquisas apontam que favorecem uma série de outras habilidades (socialização, atenção, concentração, lateralidade, imaginação, criatividade, equilíbrio, persistência, aceitação de regras, moralidade, limites e lidar com frustração). Diferentes jogos podem estimular diferentes habilidades. Jogos eletrônicos também são muito atrativos e fazem parte da realidade de crianças que fazem parte de um grupo chamado de nativos digitais.

Fazemos uma ressalva para sublinhar a importância de a família acompanhar e orientar crianças e adolescentes quanto a adequação dos jogos que a criança (e o adolescente) utiliza em relação à idade. Também enfatizamos que os jogos eletrônicos (assim como as mídias sociais e a televisão) não devem tomar um tempo da vida da criança a ponto de impedir que ela brinque, nem ser usado como ferramenta constante para o “sossego” dos pais. Criança saudável brinca, faz barulho, briga, se suja.

O que não dá é para excluir totalmente os jogos eletrônicos da vida delas. Aprender a usar meios eletrônicos e as tecnologias da informação e da comunicação é uma forma de fazer parte do mundo que vivemos e de se desenvolver para um futuro que, ao que tudo indica, será cada vez mais digital. Paradoxalmente, a brincadeira “analógica” fica ainda mais importante.
Caminhamos para um futuro em que a flexibilidade e a capacidade de aprender, desaprender e reaprender, serão condições cada vez mais importantes. É justamente a brincadeira que favorece o desenvolvimento dessas qualidades humanas.

Por: Carol Primo Psi

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